Após pesadelo, a revitalização da Ordem no quarto centenário da morte de São Camilo e a escolha de um novo Governo Geral  foram os dois objetivos do 58º Capítulo Geral (Extraordinário) da Ordem dos Ministros dos Enfermos (Camilianos), realizado no período de 16 a 21 de junho, em Ariccia, nas imediações de Roma, perto de Castel Gandolfo, onde se encontra a residência de verão dos Papas.

Na tarde do último dia 18 de junho, Pe. Leocir Pessini, atual Provincial e Presidente das Organizações Camilianas Brasileiras e Vice-Reitor do Centro Universitário São Camilo-SP, foi eleito o novo 60º Superior Geral da Ordem dos Ministros Enfermos, presente em 40 países e atuante na área da saúde.

A eleição do novo Superior Geral ocorreu em primeira votação, com a maioria dos votos, indicando um sinal de unidade entre os capitulares, provenientes dos 5 continentes em que a Ordem dos Ministros dos Enfermos (Camilianos) atua, com mais de 1.100 religiosos. “Isso demonstra unidade e comunhão em torno de um líder que possa superar a crise relacionada com a governança geral do meu antecessor”, declara Pessini.

“Estou ainda surpreso e comovido com a confiança que os religiosos camilianos no mundo depositaram num camiliano brasileiro. Olhando para o futuro, nós temos que concretizar o projeto de revitalização da Ordem. O novo governo começa em 14 de julho, data em que se comemoram os 400 anos da morte de São Camilo, para um novo recomeço, com entusiasmo, coragem, determinação e força, para estarmos presentes nas periferias geográficas, como diz: o nosso querido Papa Francisco”, explica Pessini.

Uma tarefa prioritária para o novo superior geral dos camilianos é ajudar os religiosos espalhados em 40 países ao redor do mundo e a grande família de São Camilo, para “renascer” o entusiasmo e alegria de servir aos doentes e pobres, como nosso fundador tem feito continuamente nestes últimos quatro séculos. Os camilianos escolheram uma pessoa extremamente preparada para conduzir a Ordem, além disso com muita expertise na área de gestão estratégica.

Sobre o Novo Geral da Ordem – Pe. Leocir Pessini

Nascido 14 maio de 1955, em Joaçaba, cidade de Santa Catarina, no Brasil, o Pe. Leocir Pessini fez sua primeira profissão em 1975 e votos perpétuos em 1978, sendo ordenado sacerdote em 1980. Sua família, de origem italiana, reside há 28 anos em São Paulo. Seus pais, Sr. Laurindo e Sra. Teresinha Pessini, completam 60 anos de casamento em 24 de julho, e esta união originou 4 filhos, dos quais Pe. Léo é o mais velho, com 59 anos de idade.

Formou-se em Filosofia no Centro Universitário Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, no Brasil. Em Teologia na Universidade Pontifícia Salesiana, de Roma. Especializou-se em Clinical Pastoral Education nos EUA, em Milwaukee, WI. Defendeu seu Mestrado e Doutorado em Teologia Moral e Bioética na Pontifícia Universidade Católica, em São Paulo. Recentemente concluiu seu Pós-Doutorado no Centro de Bioética da Edinboro University, na Pensilvânia (EUA).

Conhecendo o trabalho desenvolvido pelo novo Superior Geral Camiliano

1ª – Foi Capelão no Hospital das Clínicas (HCFMUSP), por 13 anos, no período de 1981 a 1994, ocasião em que cuidou como capelão de Tancredo Neves (1985), 1º Presidente Civil após 21 anos de Ditadura Militar no Brasil;

2ª – Foi Coordenador da Pastoral da Saúde CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Brasília), nos anos de 1993 e 1997. Neste mesmo tempo foi Conselheiro no Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, como representante da CNBB;

3ª – Foi Superior dos estudantes de Teologia, no Seminário Maior do Ipiranga, em São Paulo, de 1993 a 1997;

4ª – Superintendente, CEO da União Social Camiliana (USC) e Vice-Reitor do Centro Universitário São Camilo-SP, por 13 anos no período de 1997 a 2010. A USC é a entidade que reúne todos os esforços da educação em saúde dos camilianos no Brasil;

5ª – Nos últimos 4 anos, no período de 2010 a 2014, atuou como Provincial e Presidente das Organizações Camilianas Brasileiras, que reúnem 7 entidades jurídicas de natureza filantrópica, nas áreas: assistência à saúde (hospitais), educação para a saúde (Centros Universitários) e assistência social (equipamentos sociais). No âmbito religioso ao interno da Província Camiliana Brasileira, temos ainda as dimensões: formativa (comunidades de formação de futuros camilianos), paroquial, pastoral e missionária. Todo esse complexo, no Brasil, compreende uma rede de 56 hospitais, com cerca de 21 mil colaboradores, 6 mil leitos, 15 mil estudantes, além de 10 paróquias, 18 comunidades e mais 2 delegações na Bolívia e outra nos EUA, em Milwaukee;

6ª – Há 20 anos (1994-2014) faz parte da equipe de apoio da Pastoral da Saúde do CELAM – Conselho Episcopal Latino Americano. Também cooperou na elaboração das Diretrizes, intituladas: Discípulos e Missionários no Mundo da Saúde da Pastoral da Saúde para todas as Conferências Episcopais na América Latina e Caribe;

7ª – Também acumulou, desde 2010, a Presidência da Sociedade Brasileira de Teologia Moral;

8ª – No Conselho Federal de Medicina – CFM, é membro da Câmara Técnica sobre Terminalidade da Vida e Cuidados Paliativos, e também faz parte do Conselho Editorial da Revista do CFM;

9ª – Na área acadêmica, defendeu sua tese de doutorado na área da Distanásia, posteriormente traduzida para o espanhol, croata e inglês. É autor de mais de 300 artigos científicos nas áreas: ética, bioética, humanização dos cuidados da saúde e pastoral da saúde, publicados em revistas indexadas no Brasil e no exterior. Ainda na área acadêmica, participou de cerca de 167 bancas de dissertações de Mestrado e 74 bancas de teses de Doutorado em Bioética, nos últimos 15 anos;

10ª – Autor e coautor em mais de 40 obras relativas aos seguintes temas: ética, bioética, pastoral da saúde, humanização dos cuidados da saúde, também veiculadas em espanhol e inglês. Recentemente foi publicada a obra: Bioética, Cuidado e Humanização, em 3 volumes, lançada em comemoração ao 4º Centenário da Morte de São Camilo de Lellis. Colabora, também, há 20 anos, como colunista sobre questões atuais de Bioética, Ética da Saúde, Humanização e Pastoral da Saúde, para a Revista Família Cristã, publicada mensalmente;

11ª – Até o presente momento, atua como chefe de redação de duas revistas científicas: O Mundo da Saúde, veiculada há 39 anos ininterruptamente, e o periódico Bioetikós, ambas publicadas pelo Centro Universitário São Camilo – SP. No âmbito da gestão organizacional, é também idealizador e editor da Revista São Camilo Brasil, publicada bimestralmente com o intuito de integrar todas as atividades dos camilianos nas dimensões educacionais, hospitalar e assistência social, desde 2010.

Enfim, qualificações profissionais competência e experiência não faltam ao novo líder! Estamos diante de uma carreira profissional de enorme sucesso e de profundo reconhecimento no âmbito da saúde. Mas o mais importante, diz Pe. Léo Pessini: “É que o critério mais importante mencionado, entre outros, acerca do líder é que este tenha um profundo amor pelo carisma camiliano, pela Ordem. Tenha sensibilidade e proximidade com os coirmãos, ‘humano, humilde e disponível’, e que cultive uma espiritualidade samaritana de serviço com os mais humildes”, conclui Pe. Léo Pessini.

O pesadelo dos filhos de São Camilo de Lellis

A família religiosa fundada há mais de quatro séculos por São Camilo de Lellis está vivendo um verdadeiro pesadelo por conta da prisão de seu superior geral, Renato Salvatore, acusado de conspirar para manter-se no poder à frente da ordem. Um escândalo que não podia chegar em pior hora, exatamente quando se aproxima uma série de celebrações por ocasião do aniversário da morte de seu fundador.

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez e publicada por Vatican Insider, 19-11-2013. A tradução é de André Langer.

A crise começou no dia 06 de novembro de 2013, , quando uma patrulha da Guarda de Finanças italiana chegou à casa geral da Ordem dos Ministros dos Enfermos, cujos membros são conhecidos como “camilianos”. Ali mesmo, na casa romana Piazza della Maddalena e diante do estupor generalizado, os policiais prenderam o padre superior, Renato Salvatore, reeleito superior geral em maio do mesmo ano.

A acusação? Envolvimento em sequestro de pessoa. Segundo fontes judiciais o sacerdote teria organizado (junto com outras cinco pessoas) uma operação policial fictícia com o objetivo de entreter dois sacerdotes que lhe faziam oposição e que poderiam impedir sua reeleição. O pretendido controle funcionou, os padres não se apresentaram no capítulo realizado no dia 13 de maio na Casa do Divino Mestre de Ariccia e Salvatore foi confirmado no cargo.

A prisão caiu como um balde de água fria na comunidade religiosa, presente em diversos países e dedicada ao cuidado dos doentes através de numerosas estruturas de saúde. A primeira resposta da instituição foi um comunicado sucinto no qual se expressou “consternação” e “confiança” em que a justiça esclarecerá o assunto.

Depois de vários  dias de ansiedade e respostas breves, a Consulta Geral da Ordem enviou, no fim de semana passada, uma carta a todos os membros, funcionários, amigos e colaboradores. A carta, com data de 15 de novembro, constatou a “dor” e a “confusão” produzidas pela prisão do superior, mas destacou o consolo pela “proximidade e participação” de muitas pessoas e instituições neste momento difícil.

“Enquanto esperamos que a justiça, na busca da verdade, jogue luz sobre os acontecimentos, expressamos proximidade, afeto e oração pela pessoa do padre Renato”, indicou o texto.

Acrescentou que os superiores estão decididos a “intervir ativamente” para superar esta crise, por isso conta com a colaboração de advogados e canonistas, tendo “contatos construtivos” com a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano.

Além disso, insistiu em “evitar pronunciamentos críticos e juízos sobre pessoas e acontecimento, reforçando o sentido de pertença à nossa família religiosa e demonstrando, com nossa generosa fidelidade ao carisma, que quanto ocorreu nestes dias não interromperá em nenhum modo o caminho da ordem”.

A Consulta considerou também oportuno que prossigam as iniciativas programadas para o IV centenário da morte do fundador, mas recomendou que as mesmas adotem “preferencialmente um estilo caracterizado pela sobriedade”.

“Uma visão crente das experiências críticas dos indivíduos e das comunidades nos convida a viver este doloroso momento como oportunidade de purificação e renovação”, apontou.

A sobriedade invocada deverá ser praticada de imediato. Não obstante os últimos acontecimentos, manter-se-á uma série de atos nestes dias 19 e 20 de novembro por ocasião do 25º aniversário do “Camillianum”, o Instituto Internacional de Teologia e Pastoral da Saúde da Ordem.

Imediatamente e como estava previsto confirmou-se a presença de todos os participantes, inclusive personalidades da Santa Sé, como Rino Fisichella e Zygmunt Zimowski, presidentes dos Pontifícios Conselhos para a Nova Evangelização e para a Saúde, respectivamente. Neste contexto, a ausência do superior Salvatore será incômoda. As palavras de boas-vindas serão dirigidas pelo vigário geral, Paolo Guarise. (Fonte: ihu.unisinos.br)

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