Caminhada reuniu na Esplanada cerca de 2 mil manifestantes de diversos movimentos e entidades  para pedir  o fim do financiamento de campanhas eleitorais por empresas e uma Reforma Política Democrática e eleições limpas.

Por  Rosinha Martins| 20.05.2015| Representantes de mais de cem entidades e movimentos que compõem a Coalizão pela Reforma Política  Democrática e Eleições Limpas, entre elas a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), levaram para a Esplanada dos Ministérios na manhã desta quarta, 20, milhares de manifestantes para pedir o fim da corrupção que assola o cenário político brasileiro.

Uma das razões da manifestação é o resultado do relatório final  apresentado no último dia 14 de maio pelo relator da Comissão Especial para a Reforma Política da Câmara dos Deputados, Marcelo Castro. O relatório constitucionaliza o financiamento empresarial das campanhas eleitorais e cria o chamado “distritão”, sistema majoritário que substitui o atual sistema proporcional de votos.

“Pedimos o fim do financiamento empresarial de campanha. Acreditamos que o financiamento tem que ser exclusivamente público, para que todos os candidatos possam ter os mesmos diretos e para que não tenhamos mais compra de votos no Brasil,” relatou a presidente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil de Goiás (CTB-GO), Ailma Maria.

Presente na Caminhada, o coordenador da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas pela CNBB e bispo auxiliar de Belo Horizonte – MG, dom Joaquim Mol denominou como ‘péssima’ a descrição do relator. “O relatório não é só pouco favorável à Coalizão em relação aquilo que nós desejamos para o Brasil. Ele é péssimo, muito ruim”.

Mol classificou como imoral e antiético o financiamento de campanhas por empresas  e frisou que a Igreja, os cristãos não podem ser coniventes, pois, segundo ele, constitucionalizar a doação de empresas equivale à legalização da corrupção no país. “O relatório prevê a constitucionalização da doação de empresas que não é outra coisa senão a constitucionalização da  banalização, da corrupção”, frisou.

Durante a caminhada  bonecos gigantes e homens e mulheres vestindo ternos com logomarcas de empresas financiadoras, que carregavam sacos de dinheiros em carrinhos de construção, representaram o financiamento empresarial de campanhas. O carro de som, com características carnavalescas simbolizava a fala do relator, deputado Marcelo Castro ao afirmar que precisou trabalhar  “em ritmo de frevo” para que o relatório fosse apresentado no tempo devido.

Que bicho mordeu o deputado Marcelo Castro na redação do Relatório Final?

A pergunta que não quer calar é sobre o que aconteceu como   deputado Marcelo Castro que durante todo o diálogo estabelecido entre a Coalizão e a Câmara sempre manifestou parecer favorável às propostas apresentadas pelas entidades e movimentos e, no momento exato,  Castro joga uma balde de água fria, mostrando-se totalmente contrário.

De acordo com o deputado Chico Alencar o que aconteceu com o relator foi simplesmente o fato de que Castro se manteve na posição conservadora que vigora na Casa. “Ele seguiu a visão conservadora que não quer mudar nada, a  qual predomina nesta Câmara dos Deputados e talvez no Senado”, declarou.

Segundo Alencar, Castro  “cedeu a pressões e agiu contra a própria opinião em relação ao abuso do poder econômico nas eleições, a captura do sistema político pelo poder do dinheiro e das grandes corporações nacionais e transnacionais”.

Alencar fez saber, ainda, que das dez propostas de mudança constitucional contidas no relatório, setes delas reforçam o sistema político em vigor e acrescentou: “Isso não é uma reforma política, mas uma reforma contra a política”.

“Distritão ou detritão?”

Outro ponto polêmico do relatório trata do Distritão, sistema através do qual só serão eleitos os candidatos mais bem votados em cada estado. Alencar explicou as consequências desta proposta que ele chamou de ‘detritão’. “É a eleição de personalidades.  O Brasil terá uma só eleição para todos os cargos a cada 5 anos”.

O deputado avaliou como positiva a proposta da Coalizão caracterizando-a como a “melhor produção do debate sobre a crise política, uma jóia popular da república brasileira”. “Por isso temos uma absoluta consciência: O que se votar ai, de tópico, de imediato, de interesseiro, é fosso da captura da política pelos grandes grupos econômicos, o que será mais uma fronteira que teremos que enfrentar”, concluiu.

Uma política que contemple a diversidade da nação brasileira

“Nós queremos uma democracia plural que de fato represente a diversidade da população brasileira porque é essa diversidade que compõe a nossa  nação. Não vemos  representado ali, por exemplo,  as comunidades tradicionais como as indígenas e afrodescendentes, disse a pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana e  membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), Romi Benke.

Benke fez menção aos atos de agressão verbal que tem acontecido no Congresso nos últimos anos e definiu estas atitudes dos varões da política um insulto à lei Maria da Penha. “Esse Congresso não nos representa, não representa as mulheres, haja vista as agressões a elas, que constantemente assistimos. Isto é  uma afronta à lei Maria da Penha que foi uma conquista dura do movimento feminista brasileiro”, afirmou.

Deputados recebem 630 mil assinaturas pela Reforma

À  tarde, representantes da Coalizão se dirigiram até o Salão Verde  Câmara para entregar 630 mil assinaturas recolhidas em todas as regiões do Brasil a favor da Reforma Política Democrática e Eleições Limpas.

Na ocasião o juiz eleitoral e idealizador da Lei da Ficha Limpa e membro da Coalizão, Márlon Reis, discursou a favor  na defesa da Reforma.  “Reforma é o que nós estamos propondo. Aqui está havendo uma contrarreforma, uma tentativa de introduzir na Constituição elementos que mantenham o sistema o mais parecido com o atual. Para Reis, o financiamento empresarial de campanhas e o distritão “é a vitória dos que têm mais dinheiro para disputar a eleição”. (veja imagens)

Participaram da Caminhada representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), CRB Nacional – Conferência dos Religiosos do Brasil, Pontifícias Obras Missionárias (POM), Rede Um Grito pela Vida, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira de Mulheres (UBM), dentre outros.

Fonte e imagens: CRB Nacional

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