O diretor das Pontifícias Obras Missionárias (POM), padre Camilo Pauletti, viajou a Cuba, para participar do XI Encontro dos diretores nacionais das POM, do continente Americano. Logo no início da reunião, padre Camilo viveu uma inesperada situação narrada por ele mesmo. Acompanhe.

Experiência de entrega

Por Camilo Pauletti| 19.03.2015| Convidado a participar da reunião dos diretores das Pontifícias Obras Missionárias (POM) do continente americano, em Cuba, nos dias 01 a 05 de março, viajei para Havana no dia 28 de fevereiro. Deveria voltar no dia 05, mas a minha permanência em Cuba durou 19 dias. Isso não estava previsto. Por 17 dias estive aos cuidados de outras pessoas amigas e voluntárias. Quando transcorria a primeira conferência da reunião fui pego de surpresa por uma situação que nunca se espera: vertigens, tonturas, vômitos, perda das forças, as pernas já não sustentavam o corpo. Fui logo levado ao hospital Calixto Garcia, em Havana. Era um estrangeiro sendo acolhido por médicos e enfermeiras, e tratado com dignidade como se fosse um cubano. Na sala de observação começaram os exames para detectar a origem do quadro de tonturas e vômito que continuava. Eletrocardiogramas, tomografias, radiografias, testes diversos… tudo dava negativo. Havia dificuldade para encontrar um quarto livre e poder baixar, mas depois foi possível. Faltava ainda uma ressonância magnética da cabeça. A máquina do hospital está quebrada então foi preciso procurar em outro lugar. Por ser estrangeiro, os documentos eram mais complicados. Após alguns dias encontraram uma máquina de ressonância, claro pagando a peso de dinheiro. O diagnóstico revela-se complicado com algumas pequenas plaquetas brancas no cérebro. Era necessário tratamento, repouso, reforçar o organismo, alimentar-se e esperar melhoras. A equipe médica com neurocirurgiões, otorrinos, estudantes de medicina, todos estavam preocupados em ajudar. É impressionante a quantidade de médicos e como trabalham e se organizam em grupo.

Tenho poucas relações em Cuba, mas começou a se manifestar algo que me chamou muito atenção. A solidariedade e sensibilidade dos cristãos cubanos. Precisei de acompanhante de manhã, tarde e noite, mas não faltou gente para me cuidar. Foram oito dias no hospital. Eram jovens da Infância e Adolescência Missionária, Irmãs religiosas, padres, freis capuchinhos, leigos cristãos que se dedicaram com amor e cuidado a este “padrecito” (padre querido) estrangeiro. Traziam-me comida e diziam que nas Igrejas onde se celebravam missas, eram colocadas muitas intenções por este doente. Como não sentir o carinho, a atenção o afeto deste povo que vive pobre e simples. Em fim, a equipe médica achou por bem dar-me alta e fazer o tratamento de uma semana em casa. Saí do hospital e fui acolhido na casa dos freis Capuchinhos missionários brasileiros.

Foram dias de entrega, de Quaresma, mas dias de sentir e viver o quanto faz bem sentir-se amado, cuidado, acolhido por quem nunca nos tinha visto. O espírito do Evangelho estava sendo vivido. Isto tudo me leva a refletir que nossa vida é dom de Deus, Ele a dispõem e põem em rumos que não são previsto. Quantas lições de vida!

Como atendemos nossos doentes? Que tempo damos aos excluídos, aos que mais sofrem, os que estão em hospitais, enfermos nas casas? Quantos não têm ninguém que lhes dê atenção. Será que nossa vida não está muito centrada em nós mesmo? Que sentido terá a vida se não a colocamos a serviço dos outros? O que poderemos apresentar ao Senhor quando nos chama? Trago presente o testemunho de Charles de Foucauld, missionário que entregou sou vida aos pobres do deserto do Saara na África e por eles foi cuidado e salvo quando esteve muito doente. Lembramos dom Oscar Romero, que no próximo dia 23 de março será beatificado, mártir e pastor reconhecido como homem de Deus que deu a vida pelo povo de El salvador na América Central.

Com humildade, me permito viver e expressar um momento forte da vida. Agradecido pelo povo cubano que com gratuidade manifestou ser samaritano. Levo grande lição para minha caminhada… Oxalá Deus me dê ainda forças para entregar-me e retribuir a tantos que precisam de nossa solidariedade.

Na noite desta quarta-feira, 18, acompanhado pelo colega padre André Luiz de Negreiros regressei ao Brasil onde continuo cuidando da minha saúde, enquanto retomo os trabalhos na sede das POM em Brasília (DF).

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