Por Adital | A Semana Social Brasileira (SSB) 2013 tem em sua temática ao mesmo tempo um desafio e um chamariz para atrair mais pessoas e movimentar as discussões, iniciadas nesta segunda-feira, 02 de setembro. Pensar o papel do Estado para superar a extrema desigualdade social ainda existente num país que é a 6ª potência econômica mundial é a principal proposta da Semana deste ano, que se estende até a próxima sexta-feira, 06, em Brasília. Em entrevista a Adital, Roberto (Gogó) Malvezzi, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na Bahia, e Romi Márcia Bencke, secretária geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), dois dos organizadores da SSB, falam sobre suas perspectivas em relação ao evento.

Malvezzi afirma que pensar sobre o papel do Estado é um desafio. Para ele, não se trata apenas de refletir a partir de um documento que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lançou sobre o papel do Estado na sociedade brasileira, mas atentar para um conjunto de grandes obras no Brasil, muitas ainda concebidas no Regime Militar, e que tem um grande impacto sobre as comunidades tradicionais.

Na sua avaliação, para construir a SSB 2013, houve inicialmente uma certa resistência de parceiros habituais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Via Campesina. Para ele, não havia uma disposição de refletir sobre as situações de insatisfação que existiam na sociedade devido ao fato de muitas entidades serem parceiras de governos atuais, “que já mudaram muita coisa para a população mais pobre, mas reparamos que permanecem problemas de fundo devido à concepção diferente de desenvolvimento”.

Tudo parece ter mudado depois das manifestações que tomaram as ruas do país nos últimos três meses e também após a escolha do Papa Francisco para comandar a Igreja Católica. Sobre este segundo aspecto, Malvezzi observa que, antes da chegada do novo Papa, estava acontecendo também uma cerca resistência das próprias dioceses em realizar suas Semanas Sociais, o que não acontecia em outras edições. Estimulados pela popularidade do Papa, houve “surpreendentemente” a realização dessas semanas sociais em cerca 250 dioceses. “Nesse sentido, isso acabou mobilizando novamente as nossas bases. É um novo contexto de igreja e de país, o que faz com que esta Semana Social se torne diferente das outras”.

Por sua vez, Romi Márcia Bencke, que também é pastora da Igreja Luterana no Brasil, destaca que a temática da SSB 2013 dialoga com uma proposta que é própria do movimento ecumênico, qual seja é o envolvimento dos formadores do Brasil real. “Que é justamento este Brasil que não é o Brasil do crescimento econômico, mas é o Brasil das desigualdades econômicas e sociais”.
Romi ressalta que o tema da Semana Social acaba refletindo as práticas de muitas igrejas que fazem parte do Conic. Ela cita o exemplo da Igreja Luterana, cuja Fundação luterana Diakonia tem debatido muito a temática do consumo consciente e também da agroecologia. Já a Igreja Episcopal Anglicana tem se voltado para a temática da superação da violência contra a mulher e acaba de lançar uma cartilha sobre o tema. Na Presbiteriana Unida tem havido manifestações concretas contra a corrupção. “Embora a gente não tenha conseguido ainda ter um movimento ecumênico mais geral, acabamos somando e refletindo de uma maneira conjunta. O grande eixo então é o eixo transformador e o Brasil real”.

A secretária do Conic alerta para a urgência e necessidade das igrejas de se comprometerem com a transformação econômica e social, com a luta dos pobres, de reafirmarem sua dimensão de trabalhar para construir sinais concretos de transformação. “Essa transformação precisa ser refletida nas políticas públicas, num Estado que atenda a todas as pessoas sem distinção”.

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